Hoje eu vou falar de cinema. Para ser mais preciso, de uma trilogia. Não trata-se de uma sequência de filmes, que são um a continuação do outro, trata-se de uma trilogia pois são fruto de uma parceria de sucesso, que gerou verdadeiras obras de arte. São filmes com roteiro de Guillermo Arriaga e produção/direção de Alejandro González Iñárritu. São eles Amores Perros (2000), 21 Grams (2003) e Babel (2006).
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Amores Perros carrega uma ambiguidade no seu título. "Perro" pode significar cafajeste, canalha ou designar um cachorro. No Brasil o título foi traduzido como Amores Brutos e em Portugal como Amor Cão. De fato, os cachorros tem um papel interessante no filme, sendo companheiros, parte da família ou uma simples fonte de renda. Bem tratados ou maltratados. Apesar da presença importante dos cães no filme, ele ultrapassa completamente a simples relação entre homem e cachorro, e atinge as relações entre os próprios seres humanos. Um adolescente loucamente apaixonado, uma bela modelo e um velho mendigo. O que eles escondem no passado? O que o futuro os reserva? A vida pode mesmo ser muito bruta e nela acabamos sendo injustos, com os outros e com nós mesmos. O filme conta com grandes atuações de Emilio Echevarría ( O Búfalo da Noite e 007 - Um Novo dia Para Morrer) e Gael García Bernal (Diário de Motocicletas e Ensaio Sobre a Cegueira). O filme foi totalmente rodado no México e recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de melhor filme estrangeiro, perdendo para o filme O Tigre e o Dragão (Taiwan).
"Vinte e um gramas é o peso que uma pessoa perde no momento da morte (refere-se ao suposto peso da alma). É o mesmo peso carregado pelos que sobrevivem e ficam para contar a história." Quem acha que o filme é uma ficção científica em que pesquisadores tentam desvendar o segredo das "21 gramas" está totalmente enganado, o filme é muitíssimo real, e as 21 gramas tornam-se irrelevantes. Três pessoas bem diferentes acabam se conhecendo devido a um acidente, e seus princípios, aflições e sentimentos dão o desenrolar ao drama, que trata com grande intensidade de temas como o amor, a religião e a estrutura familiar. O Filme foi totalmente rodado nos Estado Unidos e recebeu 2 indicações ao Oscar: Melhor Atriz pela atuação de Naomi Watts (Cidade dos Sonhos) e Melhor Ator Coadjuvante pela atuação de Benicio Del Toro (Pão e Rosas e Sin City). Além deles, outro show de atuação fica por conta de Sean Penn (Sobre Meninos e Lobos e Milk).
Babel é um filme muito mais ousado, tratando sobretudo das barreiras culturais, além dos conflitos pessoais de cada personagem. Um casal americano em férias, uma família árabe, uma doméstica mexicana e uma adolescente surda-muda japonesa podem carregar algo em comum? No mínimo improvável e realmente não carregam. O filme é todo construído de diferenças e diria até preconceitos. Como já é perceptível, o filme foi rodado em quatro países (Marrocos, Estados Unidos, México e Japão). Mais badalado do que os filmes anteriores, recebeu 7 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz Coadjuavante (Adriana Barraza e Rinko Kinkuchi), Melhor Roteiro Original, Melhor Edição e Melhor Som, faturando apenas uma estatueta, de Melhor Trilha Sonora. Além das atrizes citadas, destacam-se as atuações de Brad Pitt (A Mexicana e Tróia), Cate Blanchett (O Talentoso Ripley e O Aviador), Mohamed Akhzam, Boubker Ait El Caid e Gael Garcia Bernal..
Os filmes estão totalmente desprendidos um do outro, mas têm muito em comum. A falta da linearidade temporal, evidenciada pelo excessivo número de flashbacks, mesmo sem a percepção do telespectador. A abordagem de temas importantes, problemáticas inusitadas e surpreendentes, o entrelaçamento de personagens, a força do destino. São filmes para que você possa se questionar, pra que você possa refletir.
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Depois de inúmeros desentendimentos por causa da autoria de 21 Gramas e Babel, Arriaga e Iñárritu não mais trabalharão juntos. Uma pena. Os três filmes receberam diversas indicações ao Oscar, além de outras indicações e premiações nos festivais cinematográficos de Cannes e Veneza.
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Arriaga escreveu e dirigiu o próprio filme ano passado, The Burning Plane, que ainda não chegou ao Brasil e promete a mesma fórmula dos anteriores. Seria o caminho do sucesso? Não posso deixar de citar o filme Crash - No limite, de Paul Haggis, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2006, com fórmula semelhante.
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Espero que tenha dispertado a vontade de assisti-los!!
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