quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

El Secreto De Sus Ojos

Fiquei muito feliz quando, ao acompanhar as indicações dos filmes ao Oscar 2010, vi entre os indicados a melhor filme estrangeiro o filme argentino “El Secreto De Sus Ojos”, do diretor Juan Jose Campanella. Assisti o filme, achei incrível, mas não imaginava que ele estivesse sequer entre os pré-selecionados a indicação. Me surpreendi.

Talvez tenha gostado tanto desse filme porque eu me identifiquei com o protagonista, que caminha sempre com o fardo do passado e busca um meio de se livrar do mesmo. Eu escrevi uma pequena sinopse que vai aí abaixo, deve estar ruim, mas é porque eu não gosto de contar o filme, gosto de indicar mesmo, espero que assistam!

Já tenho um filme para o qual torcer no Oscar 2010. Lamento que o Brasil não esteja com nenhum representante entre os indicados e espero que ele aprenda um pouquinho com o seu vizinho, não só na produção de filmes, mas também na escolha daquele que é enviado pra academia.



“Un crimen sin resolver. Una historia de amor. Um final sin escribir.”

Um oficial de justiça aposentado que, para seguir tranquilo em seu caminho, precisa se livrar do que ficou pra trás. Para isso, Esposito (Ricardo Darín) resolve escrever um romance, não um romance sobre toda sua vida, mas sobre um caso em especial, um crime que mudou a sua forma de enxergar a realidade, que mudou completamente a sua vida. Além desse crime, Esposito também fala no livro de sua relação com sua ex-chefe, Irene (Soledad Villamil), que acompanha de perto a confecção do romance, 30 anos depois do crime.

O filme parece transitar entre diversos gêneros, sendo muito injusto classificá-lo apenas como drama. Destacam-se principalmente os elementos de um suspense ou um filme policial. Não poderia deixar de ser, pois ao mencionar o passado, Esposito está em meio a uma investigação. São três detalhes muito interessantes do filme: primeiro, a exposição da realidade de uma corte de justiça argentina; segundo, a forma como o roteiro transita entre passado e presente sem deixar o espectador confuso; e terceiro, os olhares. O título do filme não é nem um pouco à toa, pelo contrário, há uma clara intenção de expor a significação dos olhares. O protagonista, muito observador, tenta decifrá-los todos: olhares que falam e olhares que omitem.


Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=rZvBQ8l2EoY

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sábado, 26 de dezembro de 2009

Retrovisor

E lá se vai 2009. Apesar dos pesares, não posso negar que esse foi o melhor ano da minha vida. Passei no vestibular, entrei na universidade. Conheci muitas pessoas, umas previsíveis, algumas diferentes e outras incríveis. Conquistei a confiança de umas, despertei desconfiança em outras. Fui a muitos shows, exposições, jogos de futebol, cinemas, bares, praças, eventos, festas, encontros e desencontros, poque não? Usufrui dos meus amigos, me diverti bastante com eles. Fui ajudado, ajudei, sorri, chorei, tremi, estremeci, me arrepiei, descobri, amei, me arrependi, me orgulhei, sofri, cantei, pulei, gritei, conheci, duvidei, vivi.

Aprendi. Que gostar de alguém não é tão simples quanto parece. Que destruir é mesmo mais fácil que construir. Que devemos relevar algumas mentiras. Que as pessoas podem considerar que o que você fala não é verdade. Que a música explora mesmo uma infinitude. Que esperar a atitude dos outros não é a melhor forma de fazer as coisas acontecerem. Que o exército brasileiro acha que para impor respeito você precisa ser arrogante. Que machucar os outros não é uma forma de curar suas próprias feridas. Que eu não tenho absolutamente nada de especial, que eu sou apenas mais um. Que podemos não estar errados quando pedimos desculpas. Que alguns olhares falam. Que eu devo parar de dar muito valor às pessoas que não dão valor pra mim. Que eu devo insistir. Que valeu a pena, sim, valeu.

Por fim, a coisa mais importante que eu aprendi, que eu jamais esquecerei, é que eu devo parar de mexer no passado. É isso mesmo, passado é passado e ponto final. Aliás, se é passado é porque acabou, tenho que me preocupar com o que continua e com o que vem por aí. Do passado somente boas lembranças, nada mais. Já estou planejando o futuro, e não é nada a longo prazo não, estou planejando 2010, que eu espero que seja muito melhor do que 2009! Estou oficialmente me livrando do que ficou pra trás...

“Retrovisor é passado
É de vez em quando... do meu lado
Nunca é na frente (...)”

O Teatro Mágico

Um 2010 incrível pra todos vocês!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

About dreams...

Primeiramente, pra todos aqueles que perguntaram sobre uma possível continuação do post anterior, digo: Não haverá. A intenção foi mesmo causar essa quebra, mostrar como a vida é mesmo composta de episódios sem final, por isso mesmo o título "Incompleto" =D

Segundamente: estou sem tempo, sem tempo mesmo, só estou postando aqui graças a uma inflamação na garganta, que me fez faltar na faculdade hoje.

Aliás, era justamente sobre a minha faculdade que quero falar nesse post. Nos últimos tempos eu dei uma largada de mão na facul, larguei mesmo, deixei de lado, fui empurrando com a barriga. Passei por uma série de coisas nos últimos tempos que me deixaram sem rumo, sem direção, e por um momento eu achei que não tinha mais sentido estudar, que eu não tinha algo que me motivasse. Mas aí lembrei de o quanto eu queria entrar ali. Fiz com a faculdade a mesma coisa que uma criança faz com aquele brinquedo que ela sempre quis. A criança ganha, brinca duas vezes e joga o brinquedo num canto. Isso que eu fiz com o meu sonho. As coisas mudam, como me disse minha amiga certa vez, quando as coisas saem do plano imaginário e passam para o plano real.

Caí na real quando peguei várias notas ruins, agora estou sem tempo porque estou me matando de estudar para recuperá-las. Mas logo logo as férias chegam! =D

Era só isso que queria falar, quando seu sonho se tornar realidade, o agarre firme, mesmo que ele não seja tudo aquilo que você imaginava...


The fighting's hard but the chance is thin...
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Incompleto

Ao entrar no metrô resolvi parar e pus-me a observar uma garota. Baixinha, ruiva, olhos negros, expressivos. Usava uma camiseta listrada, creme com cinza, uma calça jeans bem clara e sapatilhas cinzas. Usava também um sobretudo preto, com razão, pois estava muito frio. Estava se apoiando em uma enorme coluna e olhando para as catracas. Certamente esperava alguém.

Seus olhos estavam fixos apenas nas catracas. Passava, sorrindo, as mãos pelos cabelos, longos e belos. Passavam pessoas, muitas pessoas. Passava o tempo. Cansava-se de estar de pé, parada. Passou a andar de um lado para o outro, sempre prestando muita atenção nas pessoas que estavam chegando. Comprou um pacote de biscoitos recheados e comeu, um a um, vagarosa e minuciosamente. Foi até o posto de informações, perguntou algo, e voltou pro seu lugar reservado, para assistir de camarote o desembarque dos desconhecidos. De repente, em uma explosão de felicidade, a menina abandonou o apoio e se dirigiu a multidão que saía das catracas. Abriu os braços, finalmente sorriu. Um vento forte fazia voar para trás os seus cabelos vermelhos. Ela parou, de braços abertos e olhou em direção a multidão, que passou como se ela simplesmente não existisse. Deu um passo à frente, rodou ao redor de si mesma duas vezes, abaixou os braços, a cabeça, e voltou pro seu lugar.

Seus olhos frenéticos não sabiam para onde ir. Olhavam o teto, a banca, a catraca, as pessoas, o chão, os lados, o nada. Duas horas e meia haviam se passado. Seus olhos frenéticos fugiam dos meus. Ela já sabia que ele não viria, já sabia. Seus olhos desconsolados deixaram escapar uma lágrima, que foi escorrendo e borrando a maquiagem. Por um segundo tive vontade de chorar. O que eu estava fazendo ali mesmo? Às vezes as pessoas não cumprem nossas expectativas. Às vezes a vida não cumpre nossas expectativas. Até então, a vida se mostrou um conjunto enorme de episódios com finais incompletos. Quando olhei de novo, a menina já não estava mais lá, sumiu. Fiquei curioso para saber o seu destino. E o meu.

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